Polícia Federal durante a Operação Slim
Crédito: Polícia Federal/Divulgação

EXCLUSIVO: PF desmantela esquema de remédios “milagrosos” de emagrecimento na Operação Slim

Investigação aponta rede clandestina de produção e venda de tirzepatida, princípio ativo usado no Mounjaro, para diabetes e emagrecimento. Produtos eram vendidos como solução rápida para perder peso — sem qualquer controle sanitário.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Slim para atingir em cheio um esquema que, segundo as investigações, lucrava alto com o sonho do “emagrecimento rápido”. A PF aponta que havia uma rede dedicada à produção, fracionamento e comercialização clandestina de tirzepatida, princípio ativo usado no medicamento Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, indicado para diabetes e também utilizado em tratamentos de obesidade.

O que parecia um “tratamento moderno” para perder peso, na prática, era um coquetel clandestino, sem garantia de dose, qualidade ou segurança.

Materiais apreendidos na Operação Slim
Crédito: Polícia Federal/Divulgação

Emagrecimento fácil, risco máximo

De acordo com a PF, o grupo comprava o princípio ativo de forma irregular, manipulava e fracionava a tirzepatida em frascos e seringas, rotulava o produto e vendia como se fosse tratamento seguro para diabetes e emagrecimento.

Os “medicamentos” eram oferecidos:

  • por meio de clínicas e consultórios;
  • por profissionais de saúde envolvidos com o esquema;
  • em grupos fechados de redes sociais e aplicativos de mensagem;
  • com promessa de resultado rápido e preço abaixo do original.

Em nenhum momento havia garantia de procedência, dosagem, armazenamento correto ou acompanhamento adequado.

Saúde em risco: o que a PF encontrou

Segundo as informações divulgadas, a tirzepatida era manipulada em condições totalmente fora dos padrões da Anvisa. Entre os problemas apontados estão:

  • ambiente de produção sem controle de higiene;
  • ausência de controle de dose e concentração;
  • falta de rastreio de lote e validade;
  • armazenamento sem controle de temperatura;
  • produtos prontos sem qualquer registro sanitário.

Na prática, o paciente que aplicava o produto não fazia ideia do que estava entrando na corrente sanguínea.

Frascos e insumos usados para fracionamento clandestino
Crédito: Polícia Federal/Divulgação

Tirzepatida: remédio sério, usado de forma clandestina

A tirzepatida é um princípio ativo potente, desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2, com efeitos também no controle de peso. Justamente por isso, virou alvo da busca por soluções rápidas para emagrecimento.

Quando usada sem controle, pode causar:

  • hipoglicemia importante;
  • náuseas, vômitos intensos e desidratação;
  • alterações de pressão arterial;
  • complicações em pessoas com doenças cardíacas ou renais;
  • efeitos graves em pacientes que já usam outros medicamentos.

Profissionais sérios alertam que nenhum medicamento injetável para perda de peso deve ser usado fora de acompanhamento médico e sem origem segura.

Itens apreendidos pela Polícia Federal
Crédito: Polícia Federal/Divulgação

Dinheiro, luxo e crime organizado

Além dos frascos e insumos, a PF apreendeu bens de alto valor ligados ao grupo investigado. A suspeita é de que o esquema movimentava grandes quantias com a venda clandestina dos “remédios de emagrecimento”.

Os responsáveis podem responder por crimes como:

  • falsificação, corrupção ou adulteração de produto destinado a fins terapêuticos;
  • associação criminosa;
  • lavagem de dinheiro;
  • crimes contra a saúde pública.
Materiais apreendidos na Operação Slim
Crédito: Polícia Federal/Divulgação

Alerta ao público: emagrecimento não combina com clandestinidade

A Operação Slim acende um alerta duro: promessas de emagrecimento rápido com “injeção milagrosa” podem esconder crime organizado e risco real de morte.

A recomendação é clara: qualquer tratamento com tirzepatida ou medicamentos similares deve ser feito com receita, acompanhamento médico e produtos de origem comprovadamente legal.

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