Polícia do Irã afirma compreender reivindicações, mas promete reprimir o “caos”
Em meio à escalada de protestos contra a crise econômica, autoridades iranianas dizem entender as demandas da população, mas reforçam que não permitirão desordem nas ruas. Confrontos já deixaram mortos e feridos em várias cidades.
Crise econômica como pano de fundo
A inflação disparou e o rial, moeda iraniana, perdeu valor em ritmo acelerado. Comerciantes de bazares fecharam lojas em protesto, enquanto estudantes denunciam falta de perspectivas de emprego. O cenário lembra ondas anteriores de manifestações, como em 2019 e 2022, quando aumentos de preços e restrições sociais desencadearam revoltas populares.
“Estamos vivendo uma situação insustentável. O preço do pão e do combustível dobra a cada mês”, disse um comerciante.
Manifestações e confrontos
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram carros virados e incêndios em frente a delegacias. Em cidades como Azna e Lordegan, tiros foram ouvidos durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Relatos indicam mortos entre civis e policiais.
“Não conseguimos mais sustentar nossas famílias. Protestar é a única saída”, afirmou outro comerciante.
Posição oficial da polícia
Em coletiva, a polícia declarou que entende as reivindicações econômicas, mas não aceitará que os protestos se transformem em “caos”. O chefe do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi mais duro: disse que bases e tropas dos EUA no Oriente Médio seriam “alvos legítimos” caso Washington interviesse.
“A ordem pública será mantida a qualquer custo”, afirmou um porta-voz da corporação.
Reações internacionais
O presidente dos Estados Unidos declarou que está pronto para agir caso o Irã use violência contra manifestantes. A União Europeia pediu moderação e respeito aos direitos humanos. Organizações como a Human Rights Watch e a Amnesty International alertaram para o risco de repressão violenta.
“A comunidade internacional observa com preocupação. A proteção de civis deve ser prioridade”, disse uma autoridade europeia.
Impacto na vida cotidiana
Comerciantes relatam que o preço de alimentos básicos dobrou em poucos meses. Estudantes universitários afirmam que não veem futuro no mercado de trabalho. Famílias enfrentam dilemas diários: escolher entre comprar gás ou comida.
“A cesta básica já não cabe no salário. Estamos escolhendo entre gás e comida”, contou uma moradora.
Comparações históricas
Em 2019, protestos contra o aumento da gasolina foram violentamente reprimidos, deixando centenas de mortos. Em 2022, manifestações pela morte de Mahsa Amini se tornaram símbolo da luta por direitos das mulheres. Analistas afirmam que o atual movimento combina insatisfação econômica e contestação política, colocando em risco a legitimidade do regime.
“Sem reformas e diálogo, a legitimidade do Estado se fragiliza. O custo de ignorar a crise social é sempre maior”, avaliou um especialista.



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