Mercado financeiro aumenta convicção de corte de juros em março, aponta levantamento
Bancos e grandes instituições financeiras passaram a demonstrar maior confiança em um corte da taxa básica de juros já na reunião de março, segundo pesquisa recente com agentes do mercado. O movimento reflete uma leitura mais favorável do cenário macroeconômico, marcada por inflação em desaceleração, atividade econômica perdendo força e maior previsibilidade no ambiente fiscal.
A expectativa reforçada indica uma mudança gradual no humor do mercado, que até poucos meses atrás adotava postura mais cautelosa diante das incertezas internas e externas.
Inflação mais comportada sustenta otimismo
Um dos principais fatores por trás do aumento das apostas em queda dos juros é o comportamento recente da inflação. Indicadores mostram perda de pressão em itens sensíveis ao ciclo econômico, além de sinais de ancoragem das expectativas para os próximos anos.
“O processo desinflacionário está mais consistente, o que abre espaço técnico para o início de um ciclo de afrouxamento monetário”, avalia o economista-chefe de um grande banco, sob condição de anonimato.
Analistas destacam que a trajetória dos preços tem sido determinante para alterar a leitura do Banco Central e do mercado financeiro.
Atividade econômica em ritmo mais fraco
Outro ponto citado pela pesquisa é a desaceleração gradual da atividade econômica. Dados de consumo, crédito e investimento indicam perda de tração em alguns setores, reforçando a percepção de que juros elevados por mais tempo podem ampliar o risco de estagnação.
“Os sinais de esfriamento da economia tornam o custo de manter juros altos cada vez mais relevante”, afirma a economista e consultora financeira Mariana Lopes.
Esse cenário aumenta a pressão para que a política monetária adote uma postura menos restritiva.
Expectativas sobre a decisão do Banco Central
Embora o mercado tenha elevado as apostas para um corte em março, especialistas ressaltam que a decisão do Banco Central seguirá baseada em dados. A autoridade monetária tem reiterado a necessidade de cautela e de confirmação das tendências observadas.
“O Banco Central não está comprometido com um calendário fixo, mas com a convergência sustentável da inflação”, destaca o ex-diretor de política monetária Carlos Mendonça.
A comunicação recente da instituição, no entanto, tem sido interpretada como menos resistente à possibilidade de flexibilização.
Cenário externo também influencia
O ambiente internacional contribui para a mudança de percepção. Bancos centrais de economias avançadas sinalizam o fim de ciclos agressivos de aperto monetário, o que reduz pressões cambiais e amplia o espaço para ajustes internos.
“Um cenário global mais previsível ajuda países emergentes a iniciarem cortes de juros com menor risco”, explica o analista internacional Felipe Rocha.
A menor volatilidade externa é vista como um fator adicional de segurança para decisões domésticas.
Impactos esperados na economia
Um eventual corte de juros em março pode gerar efeitos relevantes sobre crédito, consumo e investimentos. Setores mais sensíveis à taxa de juros, como construção civil e varejo, tendem a ser os primeiros beneficiados.
“Mesmo um corte inicial modesto tem impacto psicológico importante, pois sinaliza mudança de ciclo”, avalia a economista Helena Duarte.
No entanto, especialistas alertam que os efeitos mais robustos costumam aparecer apenas ao longo do tempo.
Riscos ainda no radar
Apesar do maior otimismo, o mercado segue atento a riscos fiscais, políticos e inflacionários. Qualquer surpresa negativa pode levar a revisões rápidas nas expectativas.
“O cenário melhorou, mas ainda exige disciplina e previsibilidade”, pondera um gestor de recursos ouvido na pesquisa.
A cautela, portanto, permanece como elemento central das projeções.
Conclusão
A pesquisa que aponta o reforço das apostas em queda dos juros em março revela uma mudança gradual, porém relevante, na percepção do mercado financeiro. Inflação mais controlada, atividade em desaceleração e um cenário externo menos adverso formam a base desse novo otimismo.
Ainda assim, a decisão final dependerá da confirmação dos dados e da avaliação do Banco Central, que segue equilibrando estímulo econômico e compromisso com a estabilidade dos preços.



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